TOC
A crise económica é hoje uma realidade incontornável. É assim em Portugal, mas também noutras partes do mundo, em economias que até há bem pouco tempo julgávamos imunes a todas as adversidades.
Portugal, já se disse, não escapa ao fenómeno, até porque, como todos sabemos, há muito que vivemos acima das nossas possibilidades.
O adiamento dos ajustes necessários ao reequilíbrio chegou ao limite e, indiscutivelmente, alguém tem que tomar as atitudes que se mostrem adequadas para que Portugal possa honrar os seus compromissos no concerto das nações.
O Orçamento do Estado, para além de todas as medidas previamente anunciadas, através dos PEC (Plano de Estabilidade e Crescimento), está aí, não se antevendo medidas agradáveis, atendendo ao imprescindível reequilíbrio das contas públicas.
Os Técnicos Oficiais de Contas, não apenas como cidadãos, mas fundamentalmente como profissionais que constroem a informação sobre a situação patrimonial das empresas, têm um papel fundamental a desenvolver na recuperação económica do País.
O permanente acompanhamento da vida das empresas e empresários e o aconselhamento dos decisores, constituirão elementos fundamentais para a consolidação da vida económica e financeira das entidades. Esta atitude ganha especial relevo nas pequenas e médias empresas, podendo constituir a diferença entre a sobrevivência ou a morte financeira de muitas delas.
Um projecto de investimento que não seja devidamente analisado, uma desproporcionada concentração de vendas num número reduzido de clientes, o recurso sistemático ao endividamento para financiar a tesouraria sem uma análise cuidada dos prazos de pagamento dos clientes, são campos importantes para a sobrevivência das empresas nos quais os profissionais podem e devem intervir.
A existência de uma estrutura mínima que nos revele os custos de produção, nomeadamente através do recurso a fichas técnicas do produto, pode constituir um elemento fundamental de orientação empresarial.
Uma actuação atenta e atempada dos profissionais junto dos seus clientes ou entidades patronais, é fulcral. Esta importância vai muito para além da consolidação e sustentação económica das empresas: apresenta os profissionais como parte integrante do negócio, gerando-se cumplicidades positivas com os decisores que muito dificilmente se destruirão.
Este é o TOC criador de valor que temos vindo a defender. Este é o profissional que não se avalia pelas avenças que cobra, mas pela imprescindibilidade da sua presença e actuação junto das empresas.
Este, pelo menos na forma como o entendemos, é o profissional que, com a sua actuação e permanente acompanhamento da vida empresarial, embora num cenário de dificuldades, é capaz de construir a esperança.
Lisboa, 18 de Outubro de 2010
O Bastonário
A. Domingues Azevedo
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